Emoções e cotidiano

Medo de dentista e hipnose: o que conversar antes de um procedimento

Se pensar numa consulta odontológica desperta receio, começar descrevendo a situação que preocupa você pode tornar a conversa mais clara. Quero apresentar perguntas para levar ao dentista e explicar onde a hipnose aparece nas pesquisas desse contexto.

Por David BittermanLeitura: 4 min

Qual parte da consulta preocupa você?

O medo pode estar ligado a momentos diferentes: marcar o horário, sentar na cadeira, ouvir um equipamento, receber uma injeção ou lembrar de uma experiência anterior. Esses são exemplos para organizar a descrição; não definem um diagnóstico de fobia.

Em vez de dizer apenas “tenho medo de dentista”, você pode explicar qual situação imagina, o que aconteceu em consultas anteriores e o que gostaria de entender antes de iniciar. Não é necessário conhecer o nome de todos os procedimentos para fazer perguntas.

Sugiro compartilhar essa informação com o dentista desde o agendamento ou antes da atividade. O profissional responsável precisa conhecer sua preocupação para discutir as condições do cuidado odontológico.

Um mapa de perguntas para a consulta

Se a dificuldade começa na antecipação:

“você pode explicar o que está previsto para esta consulta e quais decisões serão conversadas comigo?”.

Se sons ou equipamentos preocupam:

“qual equipamento será usado e em que momento? Posso receber uma explicação antes de começar?”.

Se a preocupação envolve injeção ou dor:

“como será discutido o controle de dor e quais informações você precisa sobre meu histórico?”. A definição do cuidado e dos recursos é do profissional responsável, considerando sua avaliação.

Se existe uma experiência anterior difícil:

“quero contar o que aconteceu antes e combinar como avisar se precisar de uma pausa”.

Essas perguntas procuram melhorar a comunicação. Elas não substituem avaliação, planejamento odontológico ou orientação sobre procedimentos.

Onde a hipnose entra nas pesquisas

O NCCIH comenta pesquisas sobre hipnose para ansiedade odontológica, incluindo resultados favoráveis em alguns estudos e grande variação nos achados. Esse contexto pede cuidado ao transformar uma pesquisa numa promessa para uma pessoa.

A hipnose não elimina a necessidade de diagnóstico e tratamento odontológico, nem autoriza interromper uma conduta orientada pelo dentista. Não apresento uma técnica como substituta universal de anestesia, controle de dor ou outros recursos discutidos na consulta.

Se o tema desperta interesse, pergunte ao profissional responsável se existe alguma abordagem complementar pertinente ao seu caso, quem a realiza e como ela se integra ao procedimento. Meu consultório de hipnose não realiza procedimentos odontológicos.

Minha relação com o tema na ABO

Em agosto de 2022, fui convidado para ministrar aulas sobre hipnose clínica numa atividade de especialização em DTM e dor orofacial na ABO Paraná, a convite do Dr. Daniel Bonotto. O registro preservado descreve três dias de estudo e está disponível neste site.

Compartilho essa atividade como parte da minha trajetória de ensino. Ela não representa uma habilitação em Odontologia nem uma demonstração de resultados em pacientes. Você pode conferir o registro da participação na ABO e as fotografias disponíveis.

Participantes da atividade sobre hipnose clínica na ABO ParanáAmpliar fotografia ↗
Registro da atividade sobre hipnose clínica na ABO Paraná, em agosto de 2022. Fotografia do arquivo da minha trajetória.

Quando o receio atrapalha a busca de cuidado

Se você adia consultas por receio, conte isso aos profissionais que acompanham sua saúde. É possível discutir a dificuldade emocional enquanto mantém o caminho necessário para avaliar a saúde bucal.

Uma descrição útil inclui quais situações evita, há quanto tempo isso acontece e o que ficou pendente. Não é preciso esperar que o medo desapareça completamente para começar a pedir orientação.

No meu atendimento, você pode conversar sobre esse receio e sobre os cuidados já indicados. A primeira avaliação precisa esclarecer o contexto e os limites, sem prometer um procedimento sem desconforto.

Perguntas frequentes

A hipnose substitui o dentista ou o tratamento odontológico?

Não. A avaliação da saúde bucal e as decisões sobre procedimentos precisam permanecer com o profissional responsável. Uma abordagem complementar não muda essa necessidade.

Quem decide sobre anestesia e outros recursos?

O profissional responsável pelo cuidado odontológico deve discutir as possibilidades e indicações com você. Este artigo não orienta suspender, trocar ou dispensar um recurso.

Sua participação na ABO comprova resultado para meu caso?

Não. O registro mostra uma atividade de ensino. A situação de quem procura atendimento exige outra conversa, individual, sobre possibilidades e cuidados.

Comece descrevendo a situação que você evita

Você pode consultar meus canais de contato para conversar sobre a avaliação presencial. Mantenha também o contato com seu dentista para esclarecer as necessidades do cuidado odontológico.

Fontes e referências

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