A dúvida sobre controle merece uma resposta concreta
Quando você pergunta se pode perder o controle, pode estar falando de receios diferentes: dizer algo que prefere guardar, aceitar uma atividade sem compreender ou não conseguir interromper uma experiência. Prefiro identificar qual é sua preocupação a responder com uma frase genérica.
Na conversa da APA com o pesquisador David Patterson, a ideia de hipnose como obediência irrestrita é discutida e contestada. Isso não dispensa o cuidado com comunicação e consentimento. Uma técnica não torna toda interação automaticamente adequada.
Para mim, a pergunta prática é: como vamos combinar a sua participação? Antes de uma atividade, você precisa ter espaço para entender o que será proposto e dizer se deseja participar.
Concordar com a avaliação não significa concordar com tudo
É possível aceitar uma conversa inicial e ainda ter dúvidas sobre uma atividade específica. Também é possível mudar de ideia depois de ouvir a explicação. Quero que essa diferença fique clara, porque uma decisão informada precisa de condições concretas para acontecer.
Se uma orientação não for compreensível, você pode pedir um exemplo ou perguntar qual objetivo está sendo discutido. Eu não espero que você interprete sozinho palavras técnicas ou aceite uma proposta apenas porque foi apresentada com confiança.
Essa participação pode incluir dizer que determinada imagem, lembrança ou assunto não faz sentido naquele momento. O atendimento precisa considerar essa comunicação.
Você pode escolher o que deseja compartilhar
Uma conversa pode começar pelo impacto atual de uma situação: o que ficou difícil, o que você evita ou o que gostaria de compreender. Não é necessário transformar o primeiro encontro numa exposição de toda sua vida.
Pergunte como informações pessoais são tratadas e quais condições de privacidade o serviço oferece. Se houver proposta de gravação ou uso de um relato, isso precisa ser esclarecido separadamente; compartilhar algo no atendimento não representa autorização para divulgação pública.
No site, quando apresento minha história, falo daquilo que escolhi compartilhar. Quando usamos exemplos explicativos nos artigos, eles são identificados como ilustrações, sem serem apresentados como casos reais de clientes.
Como comunicar um limite
Você pode usar frases simples:
- “Quero entender essa atividade antes de começar.”
- “Prefiro não conversar sobre esse assunto agora.”
- “Essa orientação não ficou clara para mim.”
- “Quero fazer uma pausa e conversar sobre o que aconteceu.”
Não é preciso justificar um limite com uma explicação perfeita. Quero que você comunique desconforto ou dúvida, em vez de tentar demonstrar uma resposta que imagina ser esperada.
Se seu receio envolve lembrar fatos do passado, há uma questão adicional: uma lembrança vívida não é uma comprovação. Desenvolvi esse tema no artigo sobre regressão, ficção e limites da memória.
Sinais de uma conversa que precisa de esclarecimento
Sugiro pedir explicações se uma proposta exige concordância antecipada com tudo, promete eliminar qualquer desconforto ou trata suas perguntas como obstáculo. Também vale questionar a ideia de que não obter determinado resultado seria prova de falta de esforço da sua parte.
Minha proposta é começar pela comunicação sobre possibilidades e limites. Para preparar essa primeira conversa, veja o guia da primeira sessão.
Perguntas frequentes
Hipnose é uma forma de obrigar alguém a contar segredos?
Não apresento a hipnose como um instrumento de interrogatório ou de verdade. No atendimento, você pode dizer o que deseja abordar e quais assuntos prefere não compartilhar.
Posso pedir uma pausa mesmo depois de concordar?
No meu atendimento, quero que você possa comunicar essa necessidade. Combine antes como interromperemos uma atividade e retomaremos a conversa, se isso for necessário.
Pedir explicações atrapalha a sessão?
Eu considero as perguntas parte do processo. Entender a proposta é mais importante do que tentar cumprir uma orientação que parece confusa ou desconfortável.
Antes de decidir
Você pode usar a avaliação para falar desses receios. Conheça a proposta do meu atendimento e traga as perguntas que ainda precisam de uma resposta concreta.
Fontes e referências
- APA — Hypnosis in therapy, entrevista com David Patterson: discussão sobre sugestões e participação. Entrevista com o pesquisador David Patterson.
- Artigo do arquivo sobre regressão e memória: leitura complementar sobre uma dúvida diferente.